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terça-feira, 3 de junho de 2014

Sarau da Paz tem segunda edição com muita poesia


Promovido pelo Espaço Avançar, acontece dia 11 de junho de 2014, a partir das 16 horas, na Escola Estadual Mestre Paulo dos Anjos, no bairro da Paz, em Salvador-BA, o esperado Sarau da Paz, com música, teatro, dança e recital poético com Valdeck Almeida de Jesus, Varenka de Fátima Araújo e convidados.

Para Valdeck Almeida, o evento é uma porta para se conhecer a arte dos moradores do bairro. Confira declaração: “Conheci hoje uma das fronteiras desta cidade desigual. Salvador é loteada, esfacelada, murada por todos os lados. A má distribuição da renda nacional se reflete aqui de forma violenta. Enquanto prédios de trinta, quarenta andares brilham ao nascer do sol, bairros inteiros são apartados, escondidos pelos espigões. E com avenidas que mais parecem rios envenenados, como definiu Enrique Peñalosa, ex-prefeito de Bogotá quando de sua visita à capital baiana, a cidade mais parece uma teia de aranha com becos, vielas, ruas apertadas, e muito abandono.

O Bairro da Paz é um exemplo desse abandono. Nascido de movimentos de invasão, a região é a cara de outras partes da capital, onde as pessoas vivem em bairros-dormitórios, viajando, literalmente, todos os dias, para trabalhar e estudar no centro e em outras localidades de Salvador. Mas o bairro não se deixa isolar. Tem uma vida própria, com um comércio movimentado, igrejas de todas as denominações, moto-táxi, restaurantes, supermercados, farmácias, barzinhos e todo tipo de estabelecimento comercial. Possui linhas de ônibus, mesmo precárias e um povo trabalhador, lutador no dia a dia desigual desta cidade desigual. 

Apesar da desigualdade que se nota sem fazer esforço, o bairro vive e sobrevive como uma cidade dentro da cidade. Aliás, parece mesmo um outro lugar, uma outra realidade. Caminhar pelas ruas ainda é possível, sem o barulho de trânsito e sem a pressa da região central de Salvador, que parece caminhar sempre rumo ao esmo, com rapidez e sem olhar para os lados. No Bairro da Paz, ao contrário, o tempo dá para tudo, ainda bem. E tem muita arte ali.

Arte e educação, pessoas do lugar e de fora, que se juntam, se irmanam, em um trabalho belíssimo, como é o exemplo do Espaço Avançar, onde se pode ler livros de autores consagrados e novatos, tem oficina de música e de teatro, tem orientação religiosa e educacional, tem poesia nas gavetas, mentes e bocas da juventude.

Que tal participar do mais novo espaço poético de Salvador? Não passe a 80km por hora na Paralela sem diminuir a marcha e conhecer o Bairro da Paz e o Sarau da Paz, que breve gritará poemas para os céus de Salvador...”

Serviço
O quê: Sarau da Paz
Quando: 11 de junho de 2014, a partir das 16 horas
Onde: Escola Estadual Mestre Paulo dos Anjos
Endereço: Rua da Resistência, S/N - Bairro da Paz, Salvador-BA, 41515-230
(71) 3367-8951
Informações: Leila Ferreira – (71) 8888-7018

Fonte:
 


domingo, 23 de fevereiro de 2014

Poemas de Valdeck Almeida de Jesus no Happy Hour de Anand Rao

Poemas de Valdeck Almeida serão lidos no Happy Hour com  Anand Rao. Para assistir via web acesse www.ustream.tv e procure o canal Sarau do Anand Rao e pelo facebook acessar:www.facebook.com/saraudoanandrao, clique no curtir e no aplicativo Ustream Live, um U dentro de um quadrado azul e depois na tela da TV que vai aparecer.


Foto: Pós-Lida
VALDECK ALMEIDA DE JESUS (1966) é jornalista, escritor e poeta com mais de quinze livros publicados. Embaixador da Divine Académie Française des Arts, Lettres et Culture, Embaixador Universal da Paz, Membro da Academia de Letras do Brasil, Academia de Letras de Jequié, Academia de Cultura da Bahia, Academia de Letras de Teófilo Otoni, Academia Nevense de Letras, Ciências e Artes – ANELCA, Poetas del Mundo, Fala Escritor, Confraria dos Artistas e Poetas pela Paz, da União Brasileira de Escritores – UBE e União Baiana de Escritores - Ubesc. É presidente do Colegiado Setorial de Literatura para o biênio 2013/2014, junto à Fundação Cultural do Estado da Bahia, entidade ligada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. Diretor Geral da União Baiana de Escritores – UBESC para o biênio 2013/2014.




Meu novo suicídio



Desnecessitando

de aprovação

me pergunto

quantas vezes

preciso morrer

no trabalho

na família

entre "artistas"

pela incompatibilidade

com a Terra

ou dela comigo

me pergunto

quantas concessões

renúncias

desistências

para ser aprovado

no vestibular

da minha morte

da minha negação



Tripé da Inquietude



Se todos têm razão

Se cada um realiza

Não há por que ‘senão’

Não há por que baliza

Se todos têm razão

Não há ninguém errado

Não necessita carta

Tampouco jogo e dado

Tripé de duas pernas

Não pode se firmar

Então minha razão

Não pode ultrapassar

Não pode invadir

Nem pode sufocar



(Sem Título)



Ninguém chega ao topo sozinho

Mesmo que não enxergue

Ou finja não ver

Ao longo do caminho



Ninguém chega ao topo sozinho

Mesmo que não enxergue

Diversidade de cores

E de bastidores



Ninguém chega ao topo sozinho

Mas cair todos podem

Se achar que o poder

O mantém no caminho



Ninguém chega ao topo sozinho

E nem lá se mantém

Sem ajuda de ninguém

E nem lá se mantém, sozinho



Procura-se poeta



Paga-se bem

Para carregar

caixas de livros

nas costas

tomar sol

em feiras e praças

sorrir e alegrar

a vida de

quem precisa

precisa-se

de poeta

que saiba rimar

amor com alegria

não reclame

do salário

não me deixe

solitário

e, se precisar

me ponha

pra dormir

com canção

de ninar



(Sem Título)



Tenho medo de teóricos

de gente de gabinete

tenho medo de pessoas

que vivem em gaiolas

nos mundo das ideias

tenho medo de teóricos

que não pisam na lama

que não saem da cama

que falam do que não vivem

e pregam caminhos

para quem não conhecem

tenho medo disso

das revoluções mentais

sem sal, sem açúcar

sem gosto de sangue

sem gosto de mangue

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Editora baiana lança revista internacional na Feira de Livros do Campo Grande




A União Baiana de Escritores (UBESC) promove o lançamento da Revista Òmnira 6, na Feira Mensal de Livros do Campo Grande, que acontece neste domingo (09/02), das 9 às 17 horas, na Praça do Campo Grande, em Salvador/BA.

Na publicação, que é trimestral, tem poemas, contos, artigos, crônicas e livros que fazem a cabeça de países de língua portuguesa, como Angola (Rosalino Van-Dúnem, Vrackichakiri Abelardo, António Vicente e Mpaulo Aguiar) e Moçambique (Abdul Adamo e Tsemba Archeiro) e os escritores brasileiros Teresinka Pereira e Maria LA Bonia (USA) que fazem parte desse intercâmbio, dentre tantos outros. A revista é uma publicação da Editora Òmnira e tem como editor, o jornalista Roberto Leal. A publicação é um intercâmbio com países de língua portuguesa, uma porta aberta para que escritores contemporâneos possam publicar seus trabalhos no Brasil, e assim poder divulgar sua cultura, seu folclore e suas conquistas.

A Publicação, que levou dez anos adormecida nas suas dificuldades, agora volta com a bateria recarregada, mantendo sua periodicidade trimestral e chegando para ocupar lacunas deixadas por tantas outras publicações outrora existentes na literatura da Bahia e que sucumbiram ao combate do descaso cultural...

Durante a feira de livro a Òmnira tem a seguinte programação: estreia do quadro "Papo de Escritor" o primeiro do ano, com os escritores mirins Mariana Pina, autora do livro “O Boné Mal Assombrado”, Ítalo Silva autor de “Estrela Cadente” e Lucas Yuri autor de “A Aranha Vaidosa”, “Quindim o Gato Raivoso” e “A Menina que Queria ser uma Artista Completa”. Os autores irão interagir com o público leitor, quando falarão de suas trajetórias e publicações e autografarão seus livros... Ainda, uma grande exposição de livros, de editoras e livreiros baianos, com variada temática.

O evento que acontece uma vez por mês, sempre no primeiro domingo, é promovido pela Fundação Pedro Calmon, através da Diretoria do Livro da Leitura e tem o apoio da União Baiana de Escritores e Editora Òmnira. Mais informações: (71) 8688-8096 / 8454-0267. www.fundacaoomnira.com.br lealomnira@yahoo.com.br

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Sarau da Onça é selecionado em edital da Fundação Gregório de Matos



O I Festival de Arte, Cultura e Concurso Literário Sarau da Onça foi aprovado nos editais que a Fundação Gregório de Matos (FGM) promoveu em 2013 em Salvador. A FGM faz parte da Secretaria de Desenvolvimento, Turismo e Cultura e é dirigida pelo produtor e diretor de teatro Fernando Guerreiro.

O projeto visa selecionar dois poemas de cinquenta autores de Salvador e consequente publicação em 1000 exemplares de uma antologia, sem custo para os participantes, que receberão cinco exemplares cada um. Os demais exemplares serão vendidos ao preço simbólico de R$ 5,00 (cinco reais), com renda revertida para financiar ações culturais do Sarau da Onça. Além da antologia, o festival vai ter atividades em 02 dias, sábado (24/05/2014), das 19:30h as 22:00h e domingo (25/05/2014), das 09h às 17h – com intervalo de uma hora para almoço (das 12h às 13h) e contará com apresentações de grupos culturais e de hip hop, homenagens a personalidades negras, além de oficinas de teatro, capoeira, dança e o tradicional sarau poético.

Coordenado pelo estudante de Serviço Social Sandro Ribeiro dos Santos (Sandro Sussuarana), o Sarau da Onça atua em Sussuarana há mais de dois anos e meio, nas dependências do Espaço CENPAH – Centro de Pastoral Afro, pertencente à Paróquia São Daniel Comboni. A cada quinze dias são realizados saraus, apresentações musicais, leituras poéticas e canjas de hip hop e outras atividades culturais.

Sussuarana se localiza numa região periférica de Salvador, onde os moradores têm pouco acesso aos bens culturais devido à distância dos principais centros culturais da cidade. O sarau, nesse sentido, ocupa um lugar de importância ímpar, atraindo rapazes e moças para atividades culturais, fortalece os laços afetivos, une a comunidade em prol de objetivos comuns e abre novas perspectivas aos jovens e adolescentes da localidade.

Edital do Concurso
Será realizado o I Concurso Literário Sarau da Onça, com o propósito de dar visibilidade a escritores maiores de 15 anos residentes em Salvador. Os textos inscritos serão avaliados por uma banca composta por cinco pessoas indicadas pelo coletivo Sarau da Onça.

As inscrições estarão abertas de 10.01.2014 a 20.02.2014, via e-mail saraudaonca@hotmail.com, para o qual os interessados deverão enviar o máximo de cinco poemas, inéditos ou não, cujo tema é livre, dos quais apenas dois serão selecionados. Junto com os poemas os autores devem encaminhar nome completo, endereço, telefones e e-mail de contato, bem como uma minibiografia de até cinco linhas falando de suas atividades literárias e artísticas. Cada poema deve se limitar a vinte e cinco linhas. O lançamento está previsto para 10.05.2014, com recital e noite de autógrafos, na sede do CENPAH.

Mais informações no Facebook e no blog http://saraudaonca.wordpress.com/


quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

AURÉLIO SCHOMMER É ENTREVISTADO POR VALDECK ALMEIDA DE JESUS

Valdeck Ameida de Jesus (dir) e Aurélio Schommer
foto: Renata Rimet

Gaúcho de Caxias do Sul, Aurélio Schommer não gosta de viajar. Mora na Bahia, onde atuou pela primeira vez como jornalista em Barreiras, distante 800km da capital, Salvador, cidade na qual reside atualmente. Mas é na literatura que ele se completa, escrevendo sobre fatos reais ou ficcionais. Não gosta de poesia, para não dar “enter” a todo momento e porque não acredita em criação metrificada e rimada. O texto do Aurélio flui quando se trata de “relaciones de pareja”, ou relacionamento humano, mais precisamente conflitos amorosos e a vida pulsante, viva. O leitor, para ele, é onde o escritor se imortaliza, por isso não consegue escrever sem pensar em quem vai ler... Prefere escrever sobre sentimentos, sexo, embora tenha se dedicado pouco, por causa da onda politicamente correta. Um de seus ídolos? Nelson Rodrigues. Medo? Da velhice, para não “voltar” à infância, da qual não tem boas recordações.

VALDECK: Quando e onde nasceu?
AURÉLIO: Em Caxias do Sul-RS, em 1967.

VALDECK: Já conhece o restante do Brasil? E outros países?
AURÉLIO: Não gosto de viajar. Conheço de vista grande parte do Brasil e com maior profundidade o interior da Bahia, o Rio de Janeiro e a região natal.

VALDECK: Como você começou a escrever? Por quê? Quando foi?
AURÉLIO: Como jornalista. Minha primeira atuação profissional foi em 1992, no semanário Novoeste, de Barreiras-BA.

VALDECK: Você escreve ficção ou sobre a realidade? Suas obras são mais poesias ou prosa? O que mais você gosta de escrever? Quais os temas?
AURÉLIO: Faço ficção e não ficção. Ficção é mais divertido, sem dúvida, embora nem sempre seja mais fácil. Poesia não gosto de fazer. Limitar ideias por rima ou métrica ou mesmo ficar dando “enter” nas linhas o tempo todo não me faz muito sentido.
Escrevo sobre qualquer tema, tanto na ficção como na não ficção. O que mais me agrada? Relaciones de pareja, como se diz em espanhol. O jogo de afetos, com os conflitos e ilusões envolvidos, é muito instigante. O “amor”, na falta de palavra mais apropriada, é muito engraçado.

VALDECK: Qual o compromisso que você tem com o leitor, ou você não pensa em quem vai ler seus textos quando está escrevendo?
AURÉLIO: Tenho o compromisso de tentar prendê-lo, agradá-lo, dizer algo que lhe desperte algum sentimento, seja qual for. Eu penso no leitor o tempo todo quando escrevo. Não escreveria se não houvesse a perspectiva de haver um leitor do outro lado da mensagem. Ser lido é tudo, é a forma de imortalidade mais interessante.

VALDECK: O que mais gosta de escrever?
AURÉLIO: Como já disse, ficção. Se tiver liberdade total (não for para público infanto-juvenil, puder ridicularizar os personagens e situações à vontade) tanto melhor. E, confessando, o erótico é fantástico em termos de satisfação. As perversões sexuais dão ótimos enredos. Não por acaso meu ídolo na literatura é Nelson Rodrigues. Se houvesse um público maior para o romance erótico, eu só faria isso. Infelizmente, estamos numa época muito pudica, politicamente correta, em que o erótico é visto como sexista. Por isso, tenho limitado o sexo em meus últimos livros ao beijo na testa.

VALDECK: Como nascem seus textos? De onde vem a inspiração? E você escreve em qualquer hora, em qualquer lugar ou tem um ritual, um ambiente?
AURÉLIO: A inspiração é importante, e no meu caso surge com facilidade. Posso fazer um romance com muita inspiração, situações instigantes, em duas semanas, e fica bom. Mas o mais importante não é a inspiração. É tempo para me dedicar à escrita. É o que mais me falta. O ambiente é importante, mas não é essencial.

VALDECK: Qual a obra predileta de sua autoria? Você lembra um trecho?
AURÉLIO: A obra predileta é “O padre novo”, romance inédito. Tem um achado que gosto muito: “Povo é todos aqueles não listados entre os ricos, os poderosos e os esquisitos”. É impressionante como tem gente que se autoencaixa nos “esquisitos”.

VALDECK: Seus textos são escritos com facilidade ou você demora muito produzindo, reescrevendo?
AURÉLIO: Dificilmente reescrevo. Reviso muito, troco palavras, evito repetições, mas não gosto de jogar páginas inteiras fora. Escrevo rápido, muito rápido.

VALDECK: Qual foi a obra que demorou mais tempo a escrever? Por quê?
AURÉLIO: Foi o primeiro romance, “Maristela”. Demorei dois meses e meio, uma eternidade. Estava inseguro, era o primeiro, só por isso. Não por ter demorado, mas porque acabou ficando interessante mesmo, é a obra mais vendida minha até aqui.

VALDECK: Concluiu a faculdade? Pretende seguir carreira na literatura?
AURÉLIO: Sim. Literatura para mim não é carreira. É uma tentativa de chegar ao leitor. Como carreira, tenho o serviço público, basta.

VALDECK: Qual o escritor ou artista que mais admira e que tenha servido como fonte de inspiração ou motivação para seu trabalho?
AURÉLIO: Além de Nelson Rodrigues, Machado de Assis. Ultimamente, Pedro Mexia.

VALDECK: O que você acha imprescindível para um autor escrever bem?
AURÉLIO: Você pode ser claro e ser bom, ou ser ruim. Pode ser obtuso e ser bom, ou ruim. Pode ser breve e ser bom, ou ruim. Pode fazer experimentações e ser bom, ou ruim. Não há uma receita, espero que nunca haja. Eu não gosto de usar clichês, mas há quem use e faça um enorme sucesso, até ganhe o Jabuti. Há quem construa tramas óbvias e ganhe o Nobel. E há Umberto Eco, há Machado, há Nelson. Eu gosto desses, não daqueles, mas há quem goste do contrário. Enfim, não há nada imprescindível.

VALDECK: Você usa o nome verdadeiro nos textos, por não usa um pseudônimo?
AURÉLIO: Não uso o nome completo. Nem divulgo, nem quero que seja divulgado. O cidadão com o nome completo não deve se misturar a Aurélio Schommer, que não é um pseudônimo, é parte de meu nome completo, mas exerce uma função social. O do nome completo é reservado.

VALDECK: Como foi a tua infância?
AURÉLIO: Não foi muito boa. Vivi mal a infância. Não por culpa de alguém, longe disso, a família foi maravilhosa comigo. Simplesmente foi uma fase ruim da vida. O adulto saiu-se bem melhor. Temo assim pelo surgimento do velho (está próximo). Terá uma tendência a regressar à infância. Por outro lado, sinto que o melhor momento ainda está para ser vivido.

VALDECK: Você é jovem, gasta mais tempo com diversão ou reserva um tempo para o trabalho artístico?
AURÉLIO: Estou longe de ser jovem, em todos os sentidos. Se passei essa impressão, é falsa. Não tenho tido muito tempo para diversão. Mesmo assim, forço pausas para pequenas diversões todos os dias, ou quase todos.

VALDECK: Tem um texto que te deu muito prazer ao ver publicado? Quando foi e onde?
AURÉLIO: Texto meu? Bem, teve um que fiz para o Novoeste, em Barreiras, sobre uma rebelião estudantil na Escola Estadual Padre Vieira em novembro de 1992. Mexeu com todo o universo escolar, recebi visitas particulares da diretora, de professores, de estudantes, a cidade voltou os olhos para minha matéria.

VALDECK: Você tem outra atividade, além de escritor?
AURÉLIO: Sim, sou servidor público federal.

VALDECK: Você se preocupa em passar alguma mensagem através dos textos que cria? Qual?
AURÉLIO: Não. Não existe algo em que eu acredite decididamente a ponto de pensar em proselitismo. Escrevo porque me dá prazer conversar com o leitor, não por uma causa. Até gostaria de ter uma causa, uma mensagem, mas toda vez que penso numa sobrevêm falácias. É difícil encontrar uma ideologia que não contenha falácias. Eu ainda não encontrei nenhuma.

VALDECK: Qual sua Religião?
AURÉLIO: Católico apostólico romano. Falho no proselitismo (não faço muito), como afirmei acima, na frequência às missas, mas não tenho outra religião e estou muito feliz com a minha. Ah, importante. Não é minha religião de infância, de berço, de adolescência. Sou um ateu convertido ao catolicismo.

VALDECK: Quais seus planos como escritor?
AURÉLIO: Escrever. Se possível, eternamente, mas isso ainda não é possível. Quem sabe não inventam a pílula da imortalidade biológica. Se isso acontecesse, poderia escrever para sempre e acho muito provável que o fizesse.

(*) Valdeck Almeida de Jesus é escritor, poeta e editor, jornalista formado pela Faculdade da Cidade do Salvador. Autor do livro “Memorial do Inferno: A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden”, já traduzido para o inglês. Seus trabalhos são divulgados no site www.galinhapulando.com 

FonteS: