sábado, 31 de dezembro de 2011

Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus 2011 anuncia resultado


 

Os primeiros dez colocados foram: “O Porta-voz dos escravos”, em homenagem a Castro Alves (Ana Claudia de Souza de Oliveira, Curitiba-PR), “A Bahia de um certo Jorge”, falando de Jorge Amado (Zeca São Bernardo, São Bernardo dos Campos-SP), “Gregório na praça do inferno”, sobre Gregório de Matos e outros poetas (Jorge Carrano, Salvador-BA), “Memorial do Inferno”, sobre Valdeck Almeida de Jesus (Luiz Menezes de Miranda, Salvador-BA), “Doador de Flores”, sobre Wagner Américo da Silva (Josué Ramiro Ramalho, Salvador-BA), “Baiano da porra”, homenageando Carlos Vilarinho (Silvia Helena Machuca, Piracicaba-SP), “Bruno Máriston, o Frasista Poemático”, o próprio título diz tudo (Leandro de Assis, Salvador-BA), “Um companheiro de Baudelaire”, sobre Carlos Alberto Barreto (Carlos Conrado, Aracaju-SE), “Por trás de um grande homem habita um poeta”, fala sobre Rodolfo Pamplona (Carla Elísio dos Santos, Salvador-BA) e “A poesia de Valdeck Almeida de Jesus”, sobre o organizador do concurso (Dhiogo José Caetano, Uruana-GO).



Menção Honrosa

Foram destacados os textos: “O Desbravador de Talentos”, sobre Valdeck Almeida de Jesus (Varenka de Fátima Araújo, Salvador-BA), “Jônatas, O Romântico”, sobre o poeta Jônatas (Renata Rimet, Salvador-BA), “Um Poeta Baiano” sobre Jackson Carvalho Alves (Antonio C. Almeida, Valparaíso de Goiás-GO), “Valdeck, O Desbravador” (Calebe Lopes, Salvador-BA), “Em repúdio aos claustros - sob elegia a Junqueira Freire” (Maria Fernanda Reis Esteves, Setúbal, Portugal), “Morgana Gazel” (Carlos Souza, Salvador-BA), “Cajazeira, mas não da floresta”, a respeito de Luiz Antonio Cajazeira Ramos (Luci Feiten, Porto Alegre-RS), “A macua das histórias coloniais”, sobre Lília Maria Clara Carrière Momplé (Helga Rita Custodio Languana, Maputo, Moçambique), “O romance está morto...”, sobre Valdeck Almeida de Jesus (Zeca São Bernardo, São Bernardo dos Campos-SP) e “O filho de Itapicuru”, sobre todos os baianos (Edna das Dores de Oliveira Coimbra, Jacarepaguá-RJ).



O concurso foi em homenagem a escritores e escritoras da Bahia e teve mais de mil textos inscritos, muitos deles desclassificados por serem escritos em forma de frases ou poemas, quando o regulamento pedia crônicas. Tantos outros não entraram por perder o prazo final, 30 de novembro de 2011. Uma crônica de Renata Rimet sobre Carlos Souza não concorreu por este motivo, mas constará como convidada. A obra tem prefácio do jornalista Sandro Caldas, o qual foi convidado, também, para incluir duas crônicas na antologia.



Alguns textos foram selecionados pelo organizador e serão publicados em homenagem aos autores: Miriam de Sales (Bienais do Livro – Valem à pena?) e Leandro de Assis (Desafios do novo autor). Colaborações de Valdeck Almeida de Jesus constam no final da obra, para homenagear os poetas: Perinho Santana, Sandra Stábile, Carlos Ventura, Leo Dragone, Wagner Américo da Silva, Lucas da Hora, Vanise Vergasta, Leandro de Assis, Antonio Fagundes, Renata Rimet, Varenka de Fátima Araújo e Ivone Alves Sol.



Esta foi a crônica que obteve o primeiro lugar



O Porta-voz dos escravos

(Ana Claudia de Souza de Oliveira)



Mais de dois séculos e meio desde que o mundo recebeu em seu seio, um certo poeta condoreiro. Dez vezes dez em poesias de uma voz que falava por quem direitos nenhum tinha. Fruto de um tempo incoerente, onde quem podia, mandava e matava, negros, florestas, como se não fosse belo, nem semelhante. Se vivesse nesses dias, seria tido como ecologista, já que lutava pela causa dos que eram vistos e tratados como bestiais, inumanos: os escravos no Brasil.



Castro, com suas rimas cáusticas, seus versos crassos, como se amargasse, ainda que branco, os horrores de tantos tumbeiros, as dores de todos os troncos, os golpes de todos os açoites, a humanidade em desencanto.  Em seu estilo incomparável, ele decupava as mazelas da história, cravando com sua pena, a palavra “abolição” ainda tão presa na garganta. Entalhava versos como vaticínios, tal qual as Moiras gregas, prevendo o que tantos ansiavam e muitos temiam, toda forma de liberdade, após séculos de tirania.


Nomeado por Coelho Neto, de O Titã, ninguém soube em seu tempo com tamanha maestria, trazer à tona, com a mesma exaltação, o som das florestas e canto das senzalas, o trinar dos pássaros e o réquiem das correntes, de quem junto ao braseiro, entoa o pranto, de quem sonha em ser livre para voar e quem se prende por amor. Aquele que luta, bravio, como poucos, contra a indiferença, que sofre a eterna fome de justiça, de brasilidade, de amor, de púbere poesia. Aquele que entende que mesmo com a morte, há vida. Pois o grande poeta é o que sempre busca uma saída ainda que não a alcance com o olhar.



Nele e sobretudo, neles, seus cânticos de guerra, seus presságios de glória, para os “Filhos do Novo Mundo”, suas sentenças capitais para o amor, nunca antes, em tantos versos, um povo foi tão Brasil e a dor, a terra, a poesia, tão brasileiras.



Ana Claudia de Souza de Oliveira é natural de Nanuque-MG. Escritora, poeta e jornalista, não tem ainda nenhum livro publicado, mas já teve alguns trabalhos publicados em antologias de poesias. Pós-graduada pela ECA/USP em Gestão em Comunicação Organizacional, tem um livro em perspectiva, pretende terminá-lo em 2012.



Todos os demais selecionados, em ordem alfabética:



Cadeira Preguiçosa

(Adriana Quezado)



Abandono e axiomas

(Adriana Vargas de Aguiar)

 

Nossa fome

(Adriano Moreira)



O amor é para todos

(Alan Dayniel Soares)



Dois dias

(Alessandro Guiniki Barbosa)

                           

A psicologia das buchas e dos barris

(Aline Vitória)



Namorados distraídos

(Alzira Negri Costa)



Palavras a Paulo Leminski

(Amélia Luz)



O Porta-voz dos escravos

(Ana Claudia de Souza de Oliveira)



Crônicas para não morrer de saudade

(Ana Paula Gabatteli Vieira)



O tempo

(Ana Paula Gabatteli Vieira)



Quantas margens tem um rio?

(Ana Paula Gabatteli Vieira)



Esta língua portuguesa

(Anna Maria Avelino Ayres)



Crônica do quarto

(André Foltran)



Jeondeungsa

(André Kondo)



O Brasil tem jeito?

(André Mendes)



Judeus e Muçulmanos

(Anthony Mohammad)



O Poder das entranhas femininas

(Antonio Alberto de Oliveira Peixoto)



Um Poeta Baiano

(Antonio C. Almeida)



Onde vai com tanta pressa?

(Antonio Fernando Almeida Curti)



O maior crime contra o planeta e a humanidade de todos os Séculos! Bombardeio Nuclear

(Antônio Lourenço de Andrade Filho)



Podas

(Arai Terezinha Borges dos Santos)



Eu aceito...

(Arthur S. Martins)



Sobre a arte de escrever

(Atalana Botelho Corrêa Pinto)



Água. Você a despreza?

(Bárbara Santos de Paula)



Montevideo

(Bruno Moura)



Valdeck, O Desbravador

(Calebe Lopes)



A alma de um poeta contemporâneo

(Carla Elísio dos Santos)



Por trás de um grande homem habita um poeta

(Carla Elísio dos Santos)



A consciência é negra?

(Carlos Almeida de Jesus)



Saberes, sabores e gostos

(Carlos Almeida de Jesus)



Um companheiro de Baudelaire

(Carlos Conrado)



Houve época...

(Carlos de Carvalho)



O tônico

(Carlos Donisete de Oliveira)



Morgana Gazel


(Carlos Souza)




Tempos de janeiro, dias de São Sebastião


(Cássia Maria Carvalho dos Santos)



O Voo Rasgado

(Charlie de Freitas Rayné)



O apocalipse

(Clarissa Damasceno Melo)

Oráculos da Bahia

(Claudio Alves Vaccarezza Neto)



O vento empurra o tempo

(Cláudio de Almeida Hermínio)



Ah, era tão bom!

(Clélia Camargo Cardoso)



Fala escritor Leandro
(Cristiano Sousa)



Uma estrela chamada Zezão

(Dagoberto Domingos Teodoro)



Mulher afegã

(Daniel Gruber)



Vocação e obediência, capacitação e felicidade

(Daniel Ramos Côrtes)



Homem de sonhos

(Danielle Souza)



O garimpeiro

(Danilo Souza Pelloso)



Monologar

(David Iasnogrodski)



Lucy

(David Maxsuel)



Reconciliação

(Delson Borges de Araujo)



Caminhoneiro

(Deomídio Macêdo)



POEMA: POETA, POESIA, POETAR

(Deomídio Macêdo)



A poesia de Valdeck Almeida de Jesus

(Dhiogo José Caetano)



Quando eu crescer, quero ser um Neruda

(Dhiogo José Caetano)



Pedofilia algo irracional

(Dhiogo José Caetano)





Primeiros Passos

(Dinorá Couto Cançado)



No vagão do tempo

(Domingos Alberto Richieri Nuvolari)



Ressaca de uma não-torcedora

(Donminique Azevedo)



Novidade a Gaúcha

(Ed Carlos Alves de Santana)


Razão e Sentimento

(Eder Aguiar Faria)



O filho de Itapicuru

(Edna das Dores de Oliveira Coimbra)



Sombras da ribalta

(Edweine Loureiro)



Um dia se foi a companheira e filho de Inácio...

(Eliabe G. De Souza)



Heróis anônimos

(Elicio Santos do Nascimento)



Convento da Penha: Uma Mística e a História


(Eloi Angelos Ghio)



IN MEMORIAM

(Eloi Angelos Ghio)


Sossego

(Eric de Almeida Bustamante)



Carta aos meus desejos e loucuras

(Erika Pessanha Figueira)



Conforme a necessidade do ser ou ter

(Eulália Cristina Costa e Costa)



Pureza da solidão

(Everton da Silva Cerqueira)



O príncipe bem te vi
(Expedita Araújo)


Ordem na fila

(Fabio Daflon)



Sendo mulher

(Fau Ferreira)



Pele

(Fernanda Gotuzzo Baldassari)



A literatura é uma arte? Uma paixão? Ou ambos?

(Fernando Marques)


Capitã da Areia

(Gabriela Andrade Vitor)



Adeus, meu velho!

(Geraldo Trombin)



Um novo olhar para o mundo

(Géssica Thais Albuquerque Barros)



Te dizer que...

(Gutox Elros Anárion)



O verbo omisso

(Helena Barbagelata)



Sapatos largados

(Helena Marques)



A macua das histórias coloniais

(Helga Rita Custodio Languana)

Decálogo de todo escritor baiano... sonhador


(Hélio José Déstro)



O fundo do poço

(Ionita Késia)



Uma janela com vista para a poesia

(Isabel Pereira)



Situacionalidade

(João Nery Pestana)



Com licença poética... um adeus

(José Abbade)



O Chumbo

(Medina da Silva)



Gregório na praça do inferno.

(Jorge Carrano)



O Doador de Flores

(Josué Ramiro Ramalho)



Dandarah

(Júlio César Freid'sil)



Passar de ano é sinônimo de aprender?

(Jussára C. Godinho)



Mágico despertar de Primavera

(Jussára C. Godinho)



Crônica da Vida

(Léa Carla Oliveira Belo)



Bruno Máriston, o Frasista Poemático

(Leandro de Assis)



Desafios do novo autor

(Leandro de Assis)


(Leandro Flores)



Sim, estou vivo e não quero mais andar de guarda-chuva.

(Leandro Flores)



Dirce Saléh 

(Leandro Flores)



Reflita um pouco

(Leandro Luiz)



O renascer duma escritora

(Lénia de Fátima Nunes Aguiar)



Levante do seu caixote

(Livia Torres Gameiro)



Senhor Bala e seus casos incríveis - A loira Advogada

(Lucas Gimenez dos Santos)



Amor, pisei no ganso!

(Lucas Gois do Nascimento Batista)



Liberdade Condicional

(Lucêmio)



Cajazeira, mas não da floresta

(Luci Feiten)



A Perda

(Lúcia Grespan Rocha)



A Prisão de Joana

(Luciana Flora de Freitas)



A música acalentando a dor

(Lúcio Mauro Dias)



O Casamento e o bar

(Luís Felipe Tonet)



Memorial do Inferno

(Luiz Menezes de Miranda)



O barquinho de papel

(Maciel Neto)



Carta aos Escritores

(Maicon Natan Teixeira)



Sobre palavras, amigos, perdas e ganhos

(Marcelo Allgayer Canto)



O Silêncio Absoluto

(Marcelo Ambrogi)



A Lei Molhada

(Marcelo de Oliveira Souza)



Javali

(Maria Cláudia Braga e Oliveira)



Legado

(Maria do Socorro de Melo)



Em repúdio aos claustros - sob elegia a Junqueira Freire

(Maria Fernanda Reis Esteves)

Na senda dum mundo renovado

(Maria Letra)



Original é o poeta que se origina a si mesmo...

(Maria Letra)



Contrastes

(Marcia Menezes Sales)



Desconstruções

(Marcia Siqueira)



...SER NORMAL...

(Marcos Samuel Costa da Conceição)



Incompatibilidade semântica

(Maria A. S. Coquemala)



O vício da televisão

(Marisa Aparecida Terra)



Flores miúdas

(Marli Ribeiro de Freitas)



Tarde de verão

(Marne Pimentel)



Lembranças

(Marne Pimentel)



A casa de areia

(Maurício Henriques)



Bienais do Livro – Valem a pena?

(Miriam de Sales)



Pedro Paiva

(Morgana Gazel)



Odalisca virtual

(Morgana Leal Becker)



Despertar

(Nilcemara Pedroso dos Santos)



Campanha contra Solteirice feminina

(Nívia Cerqueira)



Breve contar

(Noilson Abreu)



Por que estudar?

(Nubia Estela Strasbach)



Minhas terras

(Otelice Soares)



Cena II - A tacada*

(Por Patrícia Smith)



Mulheres que pintam os cabelos

(Paulo Medeiros)



Nós e os outros

(Paulo Sérgio Medeiros de Jesus)



O cidadão de bem

(Paulo Vitor Barbosa dos Santos)



Solidariedade. ALENTO de Uma Tragédia!

(Pinho Sannasc)



A importância da leitura

(Priscila Monique da Silva Teles)



Valeu!

(Regina Aparecida Goes Tarosso)



Jônatas O Romântico

(Renata Rimet)



O Valdeck

(Renata Rimet)



Carlos Souza, revolução em pessoa

(Renata Rimet)



Encontro com Anna Karenina

(Renato Benvindo Frata)



Quando o olhar se engana

(Richardson Silva de Santa Bárbara)



Andorinha Maria

(Rita Pinheiro)



Noites do Norte, Mares do Sul (II)

(Romina Quadros Borba)



Território individual

(Sarah Holanda Uchôa)



Baiano

(Sarah Venturim Lasso)



Suíte de carpinteiro

(Saulo Campos)

 

Baiano da porra

(Silvia Helena Machuca)



Crônica

(Silvia Maria de Paula Nascimento)



Casinha de Sapê

(Soleno Rodrigues de Oliveira)



Falando mal do Brasil

(Soleno Rodrigues de Oliveira)



Véspera dos trinta

(Tainá Pires)



titubeando:

(Tauã)



A tia morta

(Undré T)



O Desbravador de Talentos

(Varenka de Fátima Araújo)



Com que pincel?

(Vera Lúcia Cunha Passos)



ODÔ, ODÔ, ODÔ, ODOYÁ!

(Vera Lúcia Cunha Passos)



Minha sogra é uma mãe

(Vera Lúcia Cunha Passos)



Grades
(Vera Passos)


Águas correntes

(Vera Passos)


A lagarta de fogo

(Vera Passos)



Onde está a verdade?

(Veronica Pedrozo de Medeiros)



Maridos de ontem e de hoje

(Vó Fia)



Sem conto, muito menos fada

(Welington Mariano)



O romance está morto... (Henry Miller, trecho de Sexus)

(Zeca São Bernardo)

A Bahia de um certo Jorge


(Zeca São Bernardo)



http://www.brasilwiki.com.br/noticia.php?id_noticia=48603
http://portal.comunique-se.com.br/index.php/materia-prima/categoria/cultura/premio-literario-valdeck-almeida-de-jesus-2011-anuncia-resultado.html

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

AURÉLIO SCHOMMER É ENTREVISTADO POR VALDECK ALMEIDA DE JESUS

Valdeck Ameida de Jesus (dir) e Aurélio Schommer
foto: Renata Rimet

Gaúcho de Caxias do Sul, Aurélio Schommer não gosta de viajar. Mora na Bahia, onde atuou pela primeira vez como jornalista em Barreiras, distante 800km da capital, Salvador, cidade na qual reside atualmente. Mas é na literatura que ele se completa, escrevendo sobre fatos reais ou ficcionais. Não gosta de poesia, para não dar “enter” a todo momento e porque não acredita em criação metrificada e rimada. O texto do Aurélio flui quando se trata de “relaciones de pareja”, ou relacionamento humano, mais precisamente conflitos amorosos e a vida pulsante, viva. O leitor, para ele, é onde o escritor se imortaliza, por isso não consegue escrever sem pensar em quem vai ler... Prefere escrever sobre sentimentos, sexo, embora tenha se dedicado pouco, por causa da onda politicamente correta. Um de seus ídolos? Nelson Rodrigues. Medo? Da velhice, para não “voltar” à infância, da qual não tem boas recordações.

VALDECK: Quando e onde nasceu?
AURÉLIO: Em Caxias do Sul-RS, em 1967.

VALDECK: Já conhece o restante do Brasil? E outros países?
AURÉLIO: Não gosto de viajar. Conheço de vista grande parte do Brasil e com maior profundidade o interior da Bahia, o Rio de Janeiro e a região natal.

VALDECK: Como você começou a escrever? Por quê? Quando foi?
AURÉLIO: Como jornalista. Minha primeira atuação profissional foi em 1992, no semanário Novoeste, de Barreiras-BA.

VALDECK: Você escreve ficção ou sobre a realidade? Suas obras são mais poesias ou prosa? O que mais você gosta de escrever? Quais os temas?
AURÉLIO: Faço ficção e não ficção. Ficção é mais divertido, sem dúvida, embora nem sempre seja mais fácil. Poesia não gosto de fazer. Limitar ideias por rima ou métrica ou mesmo ficar dando “enter” nas linhas o tempo todo não me faz muito sentido.
Escrevo sobre qualquer tema, tanto na ficção como na não ficção. O que mais me agrada? Relaciones de pareja, como se diz em espanhol. O jogo de afetos, com os conflitos e ilusões envolvidos, é muito instigante. O “amor”, na falta de palavra mais apropriada, é muito engraçado.

VALDECK: Qual o compromisso que você tem com o leitor, ou você não pensa em quem vai ler seus textos quando está escrevendo?
AURÉLIO: Tenho o compromisso de tentar prendê-lo, agradá-lo, dizer algo que lhe desperte algum sentimento, seja qual for. Eu penso no leitor o tempo todo quando escrevo. Não escreveria se não houvesse a perspectiva de haver um leitor do outro lado da mensagem. Ser lido é tudo, é a forma de imortalidade mais interessante.

VALDECK: O que mais gosta de escrever?
AURÉLIO: Como já disse, ficção. Se tiver liberdade total (não for para público infanto-juvenil, puder ridicularizar os personagens e situações à vontade) tanto melhor. E, confessando, o erótico é fantástico em termos de satisfação. As perversões sexuais dão ótimos enredos. Não por acaso meu ídolo na literatura é Nelson Rodrigues. Se houvesse um público maior para o romance erótico, eu só faria isso. Infelizmente, estamos numa época muito pudica, politicamente correta, em que o erótico é visto como sexista. Por isso, tenho limitado o sexo em meus últimos livros ao beijo na testa.

VALDECK: Como nascem seus textos? De onde vem a inspiração? E você escreve em qualquer hora, em qualquer lugar ou tem um ritual, um ambiente?
AURÉLIO: A inspiração é importante, e no meu caso surge com facilidade. Posso fazer um romance com muita inspiração, situações instigantes, em duas semanas, e fica bom. Mas o mais importante não é a inspiração. É tempo para me dedicar à escrita. É o que mais me falta. O ambiente é importante, mas não é essencial.

VALDECK: Qual a obra predileta de sua autoria? Você lembra um trecho?
AURÉLIO: A obra predileta é “O padre novo”, romance inédito. Tem um achado que gosto muito: “Povo é todos aqueles não listados entre os ricos, os poderosos e os esquisitos”. É impressionante como tem gente que se autoencaixa nos “esquisitos”.

VALDECK: Seus textos são escritos com facilidade ou você demora muito produzindo, reescrevendo?
AURÉLIO: Dificilmente reescrevo. Reviso muito, troco palavras, evito repetições, mas não gosto de jogar páginas inteiras fora. Escrevo rápido, muito rápido.

VALDECK: Qual foi a obra que demorou mais tempo a escrever? Por quê?
AURÉLIO: Foi o primeiro romance, “Maristela”. Demorei dois meses e meio, uma eternidade. Estava inseguro, era o primeiro, só por isso. Não por ter demorado, mas porque acabou ficando interessante mesmo, é a obra mais vendida minha até aqui.

VALDECK: Concluiu a faculdade? Pretende seguir carreira na literatura?
AURÉLIO: Sim. Literatura para mim não é carreira. É uma tentativa de chegar ao leitor. Como carreira, tenho o serviço público, basta.

VALDECK: Qual o escritor ou artista que mais admira e que tenha servido como fonte de inspiração ou motivação para seu trabalho?
AURÉLIO: Além de Nelson Rodrigues, Machado de Assis. Ultimamente, Pedro Mexia.

VALDECK: O que você acha imprescindível para um autor escrever bem?
AURÉLIO: Você pode ser claro e ser bom, ou ser ruim. Pode ser obtuso e ser bom, ou ruim. Pode ser breve e ser bom, ou ruim. Pode fazer experimentações e ser bom, ou ruim. Não há uma receita, espero que nunca haja. Eu não gosto de usar clichês, mas há quem use e faça um enorme sucesso, até ganhe o Jabuti. Há quem construa tramas óbvias e ganhe o Nobel. E há Umberto Eco, há Machado, há Nelson. Eu gosto desses, não daqueles, mas há quem goste do contrário. Enfim, não há nada imprescindível.

VALDECK: Você usa o nome verdadeiro nos textos, por não usa um pseudônimo?
AURÉLIO: Não uso o nome completo. Nem divulgo, nem quero que seja divulgado. O cidadão com o nome completo não deve se misturar a Aurélio Schommer, que não é um pseudônimo, é parte de meu nome completo, mas exerce uma função social. O do nome completo é reservado.

VALDECK: Como foi a tua infância?
AURÉLIO: Não foi muito boa. Vivi mal a infância. Não por culpa de alguém, longe disso, a família foi maravilhosa comigo. Simplesmente foi uma fase ruim da vida. O adulto saiu-se bem melhor. Temo assim pelo surgimento do velho (está próximo). Terá uma tendência a regressar à infância. Por outro lado, sinto que o melhor momento ainda está para ser vivido.

VALDECK: Você é jovem, gasta mais tempo com diversão ou reserva um tempo para o trabalho artístico?
AURÉLIO: Estou longe de ser jovem, em todos os sentidos. Se passei essa impressão, é falsa. Não tenho tido muito tempo para diversão. Mesmo assim, forço pausas para pequenas diversões todos os dias, ou quase todos.

VALDECK: Tem um texto que te deu muito prazer ao ver publicado? Quando foi e onde?
AURÉLIO: Texto meu? Bem, teve um que fiz para o Novoeste, em Barreiras, sobre uma rebelião estudantil na Escola Estadual Padre Vieira em novembro de 1992. Mexeu com todo o universo escolar, recebi visitas particulares da diretora, de professores, de estudantes, a cidade voltou os olhos para minha matéria.

VALDECK: Você tem outra atividade, além de escritor?
AURÉLIO: Sim, sou servidor público federal.

VALDECK: Você se preocupa em passar alguma mensagem através dos textos que cria? Qual?
AURÉLIO: Não. Não existe algo em que eu acredite decididamente a ponto de pensar em proselitismo. Escrevo porque me dá prazer conversar com o leitor, não por uma causa. Até gostaria de ter uma causa, uma mensagem, mas toda vez que penso numa sobrevêm falácias. É difícil encontrar uma ideologia que não contenha falácias. Eu ainda não encontrei nenhuma.

VALDECK: Qual sua Religião?
AURÉLIO: Católico apostólico romano. Falho no proselitismo (não faço muito), como afirmei acima, na frequência às missas, mas não tenho outra religião e estou muito feliz com a minha. Ah, importante. Não é minha religião de infância, de berço, de adolescência. Sou um ateu convertido ao catolicismo.

VALDECK: Quais seus planos como escritor?
AURÉLIO: Escrever. Se possível, eternamente, mas isso ainda não é possível. Quem sabe não inventam a pílula da imortalidade biológica. Se isso acontecesse, poderia escrever para sempre e acho muito provável que o fizesse.

(*) Valdeck Almeida de Jesus é escritor, poeta e editor, jornalista formado pela Faculdade da Cidade do Salvador. Autor do livro “Memorial do Inferno: A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden”, já traduzido para o inglês. Seus trabalhos são divulgados no site www.galinhapulando.com 

FonteS:

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Fala Escritor na Biblioteca Infantil Monteiro Lobato



Por: Carlos Souza

Recital de poesias, lançamento de livros, amigo secreto literário, apresentações teatrais e musicais marcam a última edição do ano, do projeto que difunde a poesia nos Shopping de Salvador.

Para quem gosta de ler, ouvir e declamar poesias, uma boa opção é o Sarau Literário de final de ano, que o projeto Fala Escritor realizará nesta terça-feira, dia 13, a partir das 14h, na Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, no bairro de Nazaré. A programação será em clima de confraternização, com Amigo Secreto Literário, na qual todos poderão trazer uma poesia impressa e um presente para o sorteio. Os poemas irão compor um grande Varal Poético e o brinde será ofertado ao amigo sorteado. Também haverá teatro, recital, leituras, declamações, apresentações musicais e muito mais...

Além da confraternização para marcar mais um ano de poesia, na oportunidade serão lançados os livros "30 anos de Poesia e um Pouco Mais" e “Memórias do Inferno Brasileiro”, de Valdeck Almeida de Jesus e "Interfaces de Amor e Paz", antologia organizada pela Confraria dos Poetas pela Paz – CAPPAZ.

Os livros - 30 anos de Poesia e um Pouco Mais, tem capa de Ed Ribeiro, artista plástico baiano, premiado internacionalmente. A obra literária traz como o próprio nome diz; trinta textos poéticos correspondendo aos trinta anos de escrita de Valdeck Almeida de Jesus. Os demais poemas são reflexões mais recentes. O livro foi lançado na Livraria Martins Fontes da Avenida Paulista, em São Paulo, no último dia 11 de novembro de 2011 e está disponível, agora, aos baianos.

A obra "Memórias do Inferno Brasileiro", que também vai ser lançada, é a segunda edição, ampliada e revisada de "Memorial do Inferno: a saga da família Almeida no Jardim do Éden", de 2005, cuja renda foi doada, à época, para as Obras Sociais Irmã Dulce. Com prefácio de Lázaro Ramos, o novo livro já foi traduzido para inglês e está disponível no site da Livraria Cultura. No mês de novembro o livro foi lançado no Congresso Brasileiro de Escritores, realizado pela União Brasileira de Escritores (UBE), em Ribeirão Preto, São Paulo. 

Já "Interfaces de Amor e Paz” é a segunda antologia de poetas organizada pela A Confraria dos Poetas pela Paz - CAPPAZ, da qual Valdeck Almeida de Jesus faz parte com poemas e texto da orelha. Além dele, estão no livro os poetas Cristiano Ferreira de Sousa, Deomídio Neves de Macêdo Neto, Flávio Martinez Guebara, Iraildo Dantas-Lua, Luiz Menezes de Miranda, Pinho Sannasc, Renata Rimet, Varenka de Fátima Araújo, Vera Passos e a própria Joyce Lima Krischke, organizadora do livro e presidente da Cappaz.

Poetas - Iara Castro, Deomídio Macedo, Dinalva Macedo, Rosana Paulo, Luiz Miranda de Menezes, Josué Ramiro Ramalho, Iraildo Dantas, Jorge Carrano, Sérgio Mício, Dé Barrense, Carlos Souza e Rosane Rubim são alguns dos nomes já confirmados.  Todos serão bem vindos!

SERVIÇO
O que: Fala Escritor Especial
Onde: Biblioteca Infantil Monteiro Lobato - Praça Almeida Couto, s/nº - Nazaré – Salvador - BA
Quando: 13 de dezembro de 2011 (terça-feira) - 14h
Quanto: Grátis
Informações: (71) 8831-2888 / 8805-4708 / 8122-7231. falaescritor@hotmail.com / http://falaescritor.blogspot.com