quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

AURÉLIO SCHOMMER É ENTREVISTADO POR VALDECK ALMEIDA DE JESUS

Valdeck Ameida de Jesus (dir) e Aurélio Schommer
foto: Renata Rimet

Gaúcho de Caxias do Sul, Aurélio Schommer não gosta de viajar. Mora na Bahia, onde atuou pela primeira vez como jornalista em Barreiras, distante 800km da capital, Salvador, cidade na qual reside atualmente. Mas é na literatura que ele se completa, escrevendo sobre fatos reais ou ficcionais. Não gosta de poesia, para não dar “enter” a todo momento e porque não acredita em criação metrificada e rimada. O texto do Aurélio flui quando se trata de “relaciones de pareja”, ou relacionamento humano, mais precisamente conflitos amorosos e a vida pulsante, viva. O leitor, para ele, é onde o escritor se imortaliza, por isso não consegue escrever sem pensar em quem vai ler... Prefere escrever sobre sentimentos, sexo, embora tenha se dedicado pouco, por causa da onda politicamente correta. Um de seus ídolos? Nelson Rodrigues. Medo? Da velhice, para não “voltar” à infância, da qual não tem boas recordações.

VALDECK: Quando e onde nasceu?
AURÉLIO: Em Caxias do Sul-RS, em 1967.

VALDECK: Já conhece o restante do Brasil? E outros países?
AURÉLIO: Não gosto de viajar. Conheço de vista grande parte do Brasil e com maior profundidade o interior da Bahia, o Rio de Janeiro e a região natal.

VALDECK: Como você começou a escrever? Por quê? Quando foi?
AURÉLIO: Como jornalista. Minha primeira atuação profissional foi em 1992, no semanário Novoeste, de Barreiras-BA.

VALDECK: Você escreve ficção ou sobre a realidade? Suas obras são mais poesias ou prosa? O que mais você gosta de escrever? Quais os temas?
AURÉLIO: Faço ficção e não ficção. Ficção é mais divertido, sem dúvida, embora nem sempre seja mais fácil. Poesia não gosto de fazer. Limitar ideias por rima ou métrica ou mesmo ficar dando “enter” nas linhas o tempo todo não me faz muito sentido.
Escrevo sobre qualquer tema, tanto na ficção como na não ficção. O que mais me agrada? Relaciones de pareja, como se diz em espanhol. O jogo de afetos, com os conflitos e ilusões envolvidos, é muito instigante. O “amor”, na falta de palavra mais apropriada, é muito engraçado.

VALDECK: Qual o compromisso que você tem com o leitor, ou você não pensa em quem vai ler seus textos quando está escrevendo?
AURÉLIO: Tenho o compromisso de tentar prendê-lo, agradá-lo, dizer algo que lhe desperte algum sentimento, seja qual for. Eu penso no leitor o tempo todo quando escrevo. Não escreveria se não houvesse a perspectiva de haver um leitor do outro lado da mensagem. Ser lido é tudo, é a forma de imortalidade mais interessante.

VALDECK: O que mais gosta de escrever?
AURÉLIO: Como já disse, ficção. Se tiver liberdade total (não for para público infanto-juvenil, puder ridicularizar os personagens e situações à vontade) tanto melhor. E, confessando, o erótico é fantástico em termos de satisfação. As perversões sexuais dão ótimos enredos. Não por acaso meu ídolo na literatura é Nelson Rodrigues. Se houvesse um público maior para o romance erótico, eu só faria isso. Infelizmente, estamos numa época muito pudica, politicamente correta, em que o erótico é visto como sexista. Por isso, tenho limitado o sexo em meus últimos livros ao beijo na testa.

VALDECK: Como nascem seus textos? De onde vem a inspiração? E você escreve em qualquer hora, em qualquer lugar ou tem um ritual, um ambiente?
AURÉLIO: A inspiração é importante, e no meu caso surge com facilidade. Posso fazer um romance com muita inspiração, situações instigantes, em duas semanas, e fica bom. Mas o mais importante não é a inspiração. É tempo para me dedicar à escrita. É o que mais me falta. O ambiente é importante, mas não é essencial.

VALDECK: Qual a obra predileta de sua autoria? Você lembra um trecho?
AURÉLIO: A obra predileta é “O padre novo”, romance inédito. Tem um achado que gosto muito: “Povo é todos aqueles não listados entre os ricos, os poderosos e os esquisitos”. É impressionante como tem gente que se autoencaixa nos “esquisitos”.

VALDECK: Seus textos são escritos com facilidade ou você demora muito produzindo, reescrevendo?
AURÉLIO: Dificilmente reescrevo. Reviso muito, troco palavras, evito repetições, mas não gosto de jogar páginas inteiras fora. Escrevo rápido, muito rápido.

VALDECK: Qual foi a obra que demorou mais tempo a escrever? Por quê?
AURÉLIO: Foi o primeiro romance, “Maristela”. Demorei dois meses e meio, uma eternidade. Estava inseguro, era o primeiro, só por isso. Não por ter demorado, mas porque acabou ficando interessante mesmo, é a obra mais vendida minha até aqui.

VALDECK: Concluiu a faculdade? Pretende seguir carreira na literatura?
AURÉLIO: Sim. Literatura para mim não é carreira. É uma tentativa de chegar ao leitor. Como carreira, tenho o serviço público, basta.

VALDECK: Qual o escritor ou artista que mais admira e que tenha servido como fonte de inspiração ou motivação para seu trabalho?
AURÉLIO: Além de Nelson Rodrigues, Machado de Assis. Ultimamente, Pedro Mexia.

VALDECK: O que você acha imprescindível para um autor escrever bem?
AURÉLIO: Você pode ser claro e ser bom, ou ser ruim. Pode ser obtuso e ser bom, ou ruim. Pode ser breve e ser bom, ou ruim. Pode fazer experimentações e ser bom, ou ruim. Não há uma receita, espero que nunca haja. Eu não gosto de usar clichês, mas há quem use e faça um enorme sucesso, até ganhe o Jabuti. Há quem construa tramas óbvias e ganhe o Nobel. E há Umberto Eco, há Machado, há Nelson. Eu gosto desses, não daqueles, mas há quem goste do contrário. Enfim, não há nada imprescindível.

VALDECK: Você usa o nome verdadeiro nos textos, por não usa um pseudônimo?
AURÉLIO: Não uso o nome completo. Nem divulgo, nem quero que seja divulgado. O cidadão com o nome completo não deve se misturar a Aurélio Schommer, que não é um pseudônimo, é parte de meu nome completo, mas exerce uma função social. O do nome completo é reservado.

VALDECK: Como foi a tua infância?
AURÉLIO: Não foi muito boa. Vivi mal a infância. Não por culpa de alguém, longe disso, a família foi maravilhosa comigo. Simplesmente foi uma fase ruim da vida. O adulto saiu-se bem melhor. Temo assim pelo surgimento do velho (está próximo). Terá uma tendência a regressar à infância. Por outro lado, sinto que o melhor momento ainda está para ser vivido.

VALDECK: Você é jovem, gasta mais tempo com diversão ou reserva um tempo para o trabalho artístico?
AURÉLIO: Estou longe de ser jovem, em todos os sentidos. Se passei essa impressão, é falsa. Não tenho tido muito tempo para diversão. Mesmo assim, forço pausas para pequenas diversões todos os dias, ou quase todos.

VALDECK: Tem um texto que te deu muito prazer ao ver publicado? Quando foi e onde?
AURÉLIO: Texto meu? Bem, teve um que fiz para o Novoeste, em Barreiras, sobre uma rebelião estudantil na Escola Estadual Padre Vieira em novembro de 1992. Mexeu com todo o universo escolar, recebi visitas particulares da diretora, de professores, de estudantes, a cidade voltou os olhos para minha matéria.

VALDECK: Você tem outra atividade, além de escritor?
AURÉLIO: Sim, sou servidor público federal.

VALDECK: Você se preocupa em passar alguma mensagem através dos textos que cria? Qual?
AURÉLIO: Não. Não existe algo em que eu acredite decididamente a ponto de pensar em proselitismo. Escrevo porque me dá prazer conversar com o leitor, não por uma causa. Até gostaria de ter uma causa, uma mensagem, mas toda vez que penso numa sobrevêm falácias. É difícil encontrar uma ideologia que não contenha falácias. Eu ainda não encontrei nenhuma.

VALDECK: Qual sua Religião?
AURÉLIO: Católico apostólico romano. Falho no proselitismo (não faço muito), como afirmei acima, na frequência às missas, mas não tenho outra religião e estou muito feliz com a minha. Ah, importante. Não é minha religião de infância, de berço, de adolescência. Sou um ateu convertido ao catolicismo.

VALDECK: Quais seus planos como escritor?
AURÉLIO: Escrever. Se possível, eternamente, mas isso ainda não é possível. Quem sabe não inventam a pílula da imortalidade biológica. Se isso acontecesse, poderia escrever para sempre e acho muito provável que o fizesse.

(*) Valdeck Almeida de Jesus é escritor, poeta e editor, jornalista formado pela Faculdade da Cidade do Salvador. Autor do livro “Memorial do Inferno: A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden”, já traduzido para o inglês. Seus trabalhos são divulgados no site www.galinhapulando.com 

FonteS:

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Fala Escritor na Biblioteca Infantil Monteiro Lobato



Por: Carlos Souza

Recital de poesias, lançamento de livros, amigo secreto literário, apresentações teatrais e musicais marcam a última edição do ano, do projeto que difunde a poesia nos Shopping de Salvador.

Para quem gosta de ler, ouvir e declamar poesias, uma boa opção é o Sarau Literário de final de ano, que o projeto Fala Escritor realizará nesta terça-feira, dia 13, a partir das 14h, na Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, no bairro de Nazaré. A programação será em clima de confraternização, com Amigo Secreto Literário, na qual todos poderão trazer uma poesia impressa e um presente para o sorteio. Os poemas irão compor um grande Varal Poético e o brinde será ofertado ao amigo sorteado. Também haverá teatro, recital, leituras, declamações, apresentações musicais e muito mais...

Além da confraternização para marcar mais um ano de poesia, na oportunidade serão lançados os livros "30 anos de Poesia e um Pouco Mais" e “Memórias do Inferno Brasileiro”, de Valdeck Almeida de Jesus e "Interfaces de Amor e Paz", antologia organizada pela Confraria dos Poetas pela Paz – CAPPAZ.

Os livros - 30 anos de Poesia e um Pouco Mais, tem capa de Ed Ribeiro, artista plástico baiano, premiado internacionalmente. A obra literária traz como o próprio nome diz; trinta textos poéticos correspondendo aos trinta anos de escrita de Valdeck Almeida de Jesus. Os demais poemas são reflexões mais recentes. O livro foi lançado na Livraria Martins Fontes da Avenida Paulista, em São Paulo, no último dia 11 de novembro de 2011 e está disponível, agora, aos baianos.

A obra "Memórias do Inferno Brasileiro", que também vai ser lançada, é a segunda edição, ampliada e revisada de "Memorial do Inferno: a saga da família Almeida no Jardim do Éden", de 2005, cuja renda foi doada, à época, para as Obras Sociais Irmã Dulce. Com prefácio de Lázaro Ramos, o novo livro já foi traduzido para inglês e está disponível no site da Livraria Cultura. No mês de novembro o livro foi lançado no Congresso Brasileiro de Escritores, realizado pela União Brasileira de Escritores (UBE), em Ribeirão Preto, São Paulo. 

Já "Interfaces de Amor e Paz” é a segunda antologia de poetas organizada pela A Confraria dos Poetas pela Paz - CAPPAZ, da qual Valdeck Almeida de Jesus faz parte com poemas e texto da orelha. Além dele, estão no livro os poetas Cristiano Ferreira de Sousa, Deomídio Neves de Macêdo Neto, Flávio Martinez Guebara, Iraildo Dantas-Lua, Luiz Menezes de Miranda, Pinho Sannasc, Renata Rimet, Varenka de Fátima Araújo, Vera Passos e a própria Joyce Lima Krischke, organizadora do livro e presidente da Cappaz.

Poetas - Iara Castro, Deomídio Macedo, Dinalva Macedo, Rosana Paulo, Luiz Miranda de Menezes, Josué Ramiro Ramalho, Iraildo Dantas, Jorge Carrano, Sérgio Mício, Dé Barrense, Carlos Souza e Rosane Rubim são alguns dos nomes já confirmados.  Todos serão bem vindos!

SERVIÇO
O que: Fala Escritor Especial
Onde: Biblioteca Infantil Monteiro Lobato - Praça Almeida Couto, s/nº - Nazaré – Salvador - BA
Quando: 13 de dezembro de 2011 (terça-feira) - 14h
Quanto: Grátis
Informações: (71) 8831-2888 / 8805-4708 / 8122-7231. falaescritor@hotmail.com / http://falaescritor.blogspot.com

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Dia da Consciência Negra e Primeira Feira do Livro de Abrantes

Clara Maciel e Valdeck Almeida de Jesus - escritores baianos


1º MOVIMENTO DE OCUPAÇÃO LITERARIA DE VILA DE ABRANTES


Clara Maciel, a Guerreira das Letras, iniciou, nesse domingo (20), a ocupação literária da Praça de Buris, em Abrantes, distrito de Camaçari-BA.

A festa literária durou todo o dia e contou com a presença ilustre do Deputado Deraldo Damasceno, dos escritores Valdeck Almeida de Jesus, Clara Maciel, Varenka de Fátima Araújo, Jô Benevides e da comunidade local. Ao som de músicas baianas, Clara abriu o recital com poemas de sua autoria, seguida de alunos de escolas locais, que realizaram performances e leituras dramáticas.

Valdeck Almeida de Jesus lançou, na oportunidade, os livros "Varal Antológico", "Antologia da Cappaz", "Antologia Poetas Del Mundo - 2011", "IX Antologia dos Poetas Vivos de Olinda" entre outros. Varenka de Fátima lançou o recente livro "Ela em versos", que esgotou em poucos minutos. O clima quente do final de semana abriu caminho para a festa cívica e literária. Cada minuto era de alegria e comemoração. E quem ganhou foi a arte, que vive e sobrevive a qualquer custo, sempre injetando sangue novo e energia em quem se permite compartilhar cultura.

Segundo Clara Maciel "este é o primeiro de outros eventos literários em Buris". O povo da localidade aprovou com presença maciça. Fica a dica para outras datas comemorativas, quando o espaço poderá ser ocupado com livros e poesias. O Movimento Clara Clarear, capitaneado por Clara, sempre realiza atividades ligadas ao universo da poesia. Cordelista, poetisa, escritora, produtora cultural, mãe e esposa, Maciel incentiva aos novos talentos baianos a nunca desistir e a sempre permanecer na luta em favor da arte poética.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O CONGRESSO BRASILEIRO DE ESCRITORES 2011

Foto: Valdeck Almeida de Jesus (de amarelo) e Domingos Ailton (de paletó)

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor

Hoje estou em Ribeirão Preto-SP, onde vim para participar do Congresso Brasileiros de Escritores, promovido pela UBE – União Brasileira de Escritores. Cheguei à tarde e já assisti duas palestras: Cultura na era digital, com Jorge de Cunha Lima e “Composição da Crônica”, com Ruth Guimarães. Não consegui ver “Jornalismo Literário”, com José Neumane Pinto, porque a sala estava lotada. Amanhã vou ver “O papel das Academias de Letras”, com Antonio Penteado, “Ler o Mundo: um desafio”, com Affonso Romano de Santana e “Multiculturalidades: a contribuição de várias culturas para a formação da língua portuguesa”, com Antonio Cabrita, escritor português.

Encontrei, também, essa tarde, a Jacqueline Aisenman, catarinense de Laguna, mas que vive em Genebra e o escritor Valdeck Almeida de Jesus, da Bahia, que eu conhecera no lançamento da antologia do Varal do Brasil, em Florianópolis. Encontrei, ainda o MenaltonBraff, contista dos bons, que já frequentou as páginas do Suplemento A ILHA, mas não consegui assistir a palestra dele, sobre a composição do conto, que foi ontem. E conheci muitos outros escritores de várias partes do país.

Aliás, é muito importante a discussão de assuntos referentes à produção, publicação, distribuição da literatura e a função dela na sociedade, mas o que vale mais é o congraçamento de escritores que nem se conheciam e que vão continuar o debate depois que o congresso acabar.

Os princípios norteadores do Congresso Brasileiro de Escritores 2011, foram os seguintes, estabelecidos pelos escritores brasileiros presentes:

1 – Propor e defender uma política cultural nacional, justa, democrática e aberta, da qual o Estado participe como facilitador, e não como mentor.

2 – Exigir do Estado defesa, incentivo e proteção de toda criação artística, defesa, incentivo e proteção que se expressam no respeito ao direito autoral, à liberdade de expressão e na ampla divulgação e publicidade.

3 - Propor como prioridade absoluta e defender intransigentemente a qualidade da educação no Brasil, exigindo do Estado os investimentos necessários à qualificação e ao aprimoramento dos professores e à manutenção de escolas e equipamentos.

4 – Exigir a extinção de privilégios no fomento à produção artística, pela reestruturação do Fundo Nacional de Cultura.

5 – Exigir, dos meios de comunicação, concessionários que são, atenção à produção artística nacional e às demandas dos produtores artísticos nacionais, por meio da instalação de um Conselho Nacional de Comunicação que tenha maioria de membros indicados por organizações da sociedade civil.

6 – Propor, para a produção literária e artística nacional, atenção aos preceitos de desenvolvimento cultural de um país: educação, cidadania, democracia, igualdade, liberdade, diversidade, direitos humanos e preservação do acervo e do patrimônio cultural, estético, artístico e ecológico do país.

7 – Propor, junto a representantes do poder legislativo e ou executivo, demandas para serem consolidadas em instrumentos legais de proteção ou defesa dos direitos dos escritores.

Precisamos trabalhar para que isso se cumpra.

Fonte: http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br 

sábado, 5 de novembro de 2011

A Bahia na Feira do Livro de Miami

Valdeck Almeida de Jesus, escritor baiano, tem livro selecionado para a 27ª Feira Internacional do Livro de Miami, que acontece de 13 a 20 de novembro de 2011.
 Valdeck Almeida de Jesus - foto: Anderson Mercês

A Bahia terá este escritor numa das maiores feiras do livro do mundo. O livro “Yes, I am gay. So, what? – Alice in Wonderland” (Sim, sou gay, e daí? – Alice no País das Maravilhas) foi incluído no catálogo pela editora iUniverse, de Nova York e vai ficar exposto na Galeria do Autor, na Seção B, Box 263 e 259 de acordo com Valdeck, obra é um romance LGBT que conta a história de um homossexual masculino cujo nome fictício é “Alice”, gíria gay para pessoas ingênuas. Em busca do amor de sua vida, a personagem vive aventuras e desventuras no chamado Mundo Gay.

Valdeck Almeida tem mais outros dois títulos em inglês: “Heartache Poems” (poesias) e “Memories from Brazilian Hell”. Este último é um romance que conta a história do próprio autor e sua família, no sertão jequieense, entre os anos 60 e 90, relatando fome e misérias de toda sorte. Para a editora, o título escolhido para a exposição pode causar um impacto e atenção às outras obras de Valdeck Almeida de Jesus.

Além dos títulos em inglês, Valdeck Almeida de Jesus, que também é jornalista, publicou outros doze livros e participa de sessenta e seis antologias, além de cordéis. O poeta é membro da Academia de Letras de Jequié, Academia de Cultura da Bahia e Academia de Letras de Teófilo Otoni, Fala Escritor e de vários movimentos literários brasileiros. A partir de 2005 ele patrocina um prêmio literário internacional que já publicou quase mil novos autores de Portugal, Angola, Moçambique, Estados Unidos, Venezuela, França, Argentina, Brasil, Macau e outras nacionalidades.

Informações
Feira de Miami: www.miamibookfair.com

domingo, 31 de julho de 2011

Escritor baiano adere a campanha de leitura das Nações Unidas

“Faça Faça Uma Coisa pela Diversidade e Inclusão", funciona numa página do Facebook e convoca pessoas a compartilhar experiências com mensagens e vídeos.
Valdeck Almeida de Jesus resolveu aderir ao projeto através dos livros que ele patrocina desde 2005. Através do “Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus”, poetas do mundo inteiro interagem e concorrem a uma vaga numa obra lançada nas bienais do livro de São Pauli, Rio de Janeiro e Bahia. Já foram publicadas mais de onze antologias de poesias, contos e crônicas de autores do Brasil, Portugal, Espanha, Angola, Moçambique, Holanda, Estados Unidos, França, Argentina, Inglaterra e China, dentre outros.

Valdeck Almeida de Jesus e Renata Rimet, em viagem cultural a Portugal, Itália, Mônaco, Espanha, Suíça e França - Foto: Naelson Ceuta - Administrador

A campanha de inclusão foi lançada pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e a Aliança de Civilizações da ONU (Unaoc). A ideia é reforçar a importância da democratização da leitura como um dos fatores de ascensão socioeconômica. E Valdeck Almeida de Jesus é um exemplo de que o acesso ao livro e leitura podem, sim, modificar o destino de qualquer pessoa. Nascido em uma família pobre, com sete irmãos, pai doente e mãe paralítica, o poeta enfrentou a miséria absoluta por vinte anos, mas sempre investindo em cultura, em educação e incentivando a família a estudar.

O gosto pela leitura o mecenas Valdeck adquiriu desde criança, quando Paula Almeida de Jesus, mãe do poeta, lhe contava estórias fantásticas da literatura de cordel. Para o escritor, “a contação de estórias, hábito em muitas famílias do nordeste, ajuda a criança a imaginar, fantasiar e se apaixonar pelos relatos. O passo seguinte é conhecer a fantasia na leitura. Daí em diante não tem mais cura: o ouvinte se torna leitor e, na melhor das hipóteses, vira escritor”.

A ideia de patrocinar um concurso de poesias veio do sonho não realizado de publicar um livro quando Valdeck tinha 19 anos de idade. A promessa de um prefeito do interior da Bahia foi esperada por mais de vinte anos, até que Valdeck Almeida cansou de esperar e pagou a edição do seu primeiro livro, “Memorial do Inferno”, prefaciado pro Lázaro Ramos, cuja renda foi doada às Obras Sociais Irmã Dulce.

Atualmente o escritor de Jequié, terra de Wally Salomão e Zéu Brito, já tem mais de dez livros solos publicados e participa de sessenta antologias, além de frequentar saraus e recitais poéticos, bem como o Fala Escritor. Junto com os jornalistas Carlos Souza e Cymar Gaivota, Renata Rimet (educadora e formanda em Letras), Fau Ferreira (filósofa), Pinho Sannasc (poeta) e Leandro de Assis (historiador e poeta – fundador do Fala Escritor), Valdeck Almeida de Jesus organiza as apresentações de poesia, música, palestras e bate-papos, todo segundo sábado de cada mês, nas Livrarias Saraiva de Salvador.

Fonte: Redação Galinha Pulando, com informações da ONU e África21Digital

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Entrevista: escritor Roberto Leal fala sobre o mercado editorial na Bahia

Entrevista: escritor Roberto Leal fala sobre o mercado editorial na Bahia

Leal fala sobre as dificuldades vividas pelos autores baianos, dá dicas aos jovens escritores e sugere lei estadual que pressione as grandes livrarias

Por: Lívia Rangel (livia.rangel@rebahia.com.br)


Nesta segunda-feira, dia 25 de julho, o Brasil está comemorando o Dia Nacional do Escritor e para saber como anda o mercado literário no Estado, o Portal iBahia entrevistou, hoje, à tarde, o escritor Roberto Leal, autor de "Cárcere de Poemas", que também vem atuando como editor da revista Òmnira, vice coordenador da UBE - União Brasileira de Escritores / BA e presidente da Fundação Ómnira.

Na entrevista, Leal fala sobre as dificuldades encontradas pelos autores baianos, dá dicas aos jovens escritores, sugere lei estadual que pressione as grandes livrarias a comercializarem obras de escritores locais, e destaca o possível fechamento da LDM, uma das poucas livrarias que prestigiam os novos talentos. O entrevistado revela ainda que está aguardando a chegada da Livraria do Escritor Baiano, um projeto da dramaturga Aninha Franco.

Confira!

iBahia - Na sua opinião, como anda o mercado editorial baiano?

O mercado editorial segue o caminho que lhe é oferecido pelo sistema, evoluindo através dos editais públicos, dos muitos prêmios literários e da escassez de recursos para tantas promessas de letras, principalmente, na Bahia onde cresce muito a produção literária sem publicação.
iBahia - Com a chegada em Salvador das grandes livrarias como a Cultura e a Saraiva, de que maneira o escritor baiano pode ser mais prestigiado?

Algumas livrarias ou todas no nosso Estado, deveriam ter um espaço direcionado para obras de escritores baianos, mesmo que em consignação e com uma margem de lucro que não ofendesse muito a demanda do escritor baiano, isso deveria ser lei estadual...

iBahia - Qual o maior obstáculo para o jovem escritor baiano?

Conseguir publicar... Hoje, os escritores emergentes na Bahia, só têm três opções para exercer a publicação dos seus originais: a primeira é a participação nos editais do Estado (FPC/Secretaria de Cultura), segunda a participação em prêmios que oferecem a publicação como estímulo, e a terceira em uma publicação independente, fazendo investimento particular, tirando dinheiro do próprio bolso para custear a sua publicação. Do contrário jamais tirará seus originais da gaveta.

iBahia - Com o advento dos editais de Cultura do Governo do Estado houve uma maior dinamização no acesso ao financiamento de bens culturais, ou estou errada? Como você enxerga a política dos editais?

A politica dos editais em si é muito burocrática o que dificulta a participação de uma camada maior de novos talentos, mas não deixa de ser uma porta aberta que precisa somente ser mais apurada, buscando dar facilidade de participação, chance maior de publicação.



Roberto Leal organizou a coletânea "Poemas e Contos Para Todos os Cantos" de vários autores

iBahia - Quais os melhores programas para o jovem escritor baiano inscrever seus originais? E quem segue uma linha independente, qual o melhor caminho para publicar e distribuir sua obra?
 
Começando de trás para frente...Distribuição não existe para o escritor novo, o que existe na realidade é uma vendagem boca a boca e uma procura por não deixar os livros empacotados. O autor para distribuir sua obra, primeiro ele precisa trabalhar uma divulgação desse seu trabalho, desse seu nome... Não vai adiantar o escritor lançar um livro, sem que isso seja divulgado, sem que esse escritor não tenha trabalhado o seu nome, do contrário estará condenado a vender livro para os amigos parentes, colegas da faculdade e vizinhos...

Programas oferecidos pela Secretaria de Cultura, através da Fundação Pedro Calmon, do próprio Fundo de Cultura, Prêmios como o Braskem, como o da Academia de Letras da Bahia, o Petrobras e outros mais, dão uma oportunidade mínima e escassa a produção literária da Bahia. Para quem tem recursos ou um patrocinador, o melhor é construir a sua publicação de forma independente, para isso procurando incorporar a ela um Selo Editorial, para que seja bem recebido quando for apresentar esse trabalho em qualquer livraria ou banca de vendagem. Ou, do contrário, poderá participar das coletâneas e antologias cooperativadas, que em Salvador são trabalhadas por diversas entidades e, só para lembrar, cito duas em evidência: o CEPA e o Selo Editorial Òmnira.

iBahia - Poderia citar as editoras e livrarias baianas que abrem portas para novos talentos?

Essa é a maior dificuldade, quando se fala em abrir portas, se fala em investir dinheiro e ninguém quer investir em escritor emergente, em algo sem retorno certo para o investidor na visão dele. Como em livrarias só vendem livro, algumas - disse algumas -, dedica um espaço para o autor da terra vender os seus livros, uma delas é a LDM (que está com o prazo para fechar as portas em 60 dias), a Cultura e a Saraiva e esperamos pela Livraria do Escritor Baiano que é projeto da dramaturga Aninha Franco e que será instalada no Teatro XVIII.